
Sorri. Era o máximo que conseguia fazer no momento. Minhas pernas doíam, devido ao frio, e a longa caminhada. A rua ingrime, inclinava-se cada vez mais sob meus pés. Agarrei-me com ainda mais força a minha jaqueta, tentando me manter ao máximo aquecido.
Faltava agora pouco mais de 500 metros, e com alívio pude ver a janela. E lá estava ele, esperando-me, com nada mais do que uma fina camiseta de algodão e calça jeans.
- Vai se resfriar – gritei para ele ainda na janela.
- Psst! – pude escutar ele resmungar mal-humorado – Suba logo.
Com aquele mesmo sorriso, forcei-me a subir. O difícil não era o ato de sorrir, mas de mantê-lo. Pois não transmitia em nada a sinceridade de meu coração. E foi quando cheguei em frente a sua porta, e o escutei girar a chave, que o sorriso se desfez.
