
Considere que Platão teve um sonho semelhante quando escreveu que o furor dos amantes é de todos o mais feliz. De fato, o amante apaixonado já não vive mais em si, mas inteirinho no objeto amado; quanto mais sai de si mesmo para se fundir neste objeto, mais se sente feliz. Assim, quando a alma pensa em escapar do corpo e renuncia servi-se normalmente de seus órgãos, julga-se com razão que ela tresvaria. As expressões correntes não querem dizer outra coisa: “ele está fora de si”, “volte a si”, “ele caiu em si”. E quanto mais perfeito é o amor, mais forte o tresvario – e mais feliz.”
Erasmo de Rotterdam (1511); O Livro das Citações.
